sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Um olhar no espelho

Resolvi, então, aparar os pêlos de minha consciência.
Eu não pertenço a nenhuma certeza.
Alivio imediato para o mal estar contemporâneo.
Iluminei todas as minhas mini incertezas - mentira, apenas aquelas mais superficiais.
Porém, ainda sim, mantenho minha identidade.
Alguns fios sadios se vão, outros brancos virão.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

BDSM

O melhor reconhecimento que o ser humano pode vir a experimentar, e que todos os santos queiram um dia isso prover, é a crítica. A crítica é santa; a crítica beijou o céu.

A crítica não é a inveja – esta, por sua vez, apenas faz as vezes da prima pobre que veio do interior de Minas. Retifico: nem sempre a crítica é inveja. Pode-se dizer que toda inveja enseja uma crítica, mas nem toda crítica engloba uma inveja. São bem próximas, porém não a mesma coisa.

Eu desejo que você possa provar da dor de uma calúnia, mas do prazer de gozar o doce sabor do desacordo. Que você possa também fazê-lo, não por uma competição tola com seu ego outrora abalroado, mas sim pelo simples prazer da superação. Estão dizendo por aí que esta sim é a droga viciante. A mais viciante, no caso.

Uma vez que a pessoa experimenta a glória do sucesso, o fracasso do discurso ácido lançado em outros tempos ferve no tempero da subestimação.

Não há nada mais prazeroso que a crítica. Sadomasoquismo em sua essência.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Seu Jovelho Jr.

Nos tornamos velhos quando absrovemos mais os vícios do que as vontades
Nos tornamos velhos quando os planos de outrora são os desacertos de agora
Nos tornamos velhos quando a percepção de tempo já não nos é favorável
Nos tornamos velhos quando olhamos para trâs num suspiro profundo
Nos tornamos velhos quando a única proposta é se manter constante
A velhice é um processo cruel, a velhice nos torna ainda mais velhos.
Nos tornamos velhos, então, quando reconhecemos a velhice.

Eterna Companheira

A ARTE DE FAGOCITAR PENSAMENTOS, DIGERIR IDÉIAS E SOBREPOR MUDANÇAS
ESTA É A INSÔNIA, MEUS CAROS: A DAMA MAIS VAGABUNDA DA NOITE.

domingo, 19 de junho de 2011

Versos para um futuro bom

À esta altura, a vida parece querer se mostrar demasiadamente injusta.
Infelizmente, a minha lógica é a cristã.
Queria eu que tudo fosse assim, como está escrito nos meus livros do Direito.
Queria eu, que toda a igualdade fosse distribuída aos homens, para que dela bebessem.
Provento divino que nunca molhou minha boca, seca por viver.
Quero, ainda, assim como você, meu nobre desconhecido, meu standard da beleza, gozar o fruto de Deus.
Brilhar sob o sol dos fatos que as fotos me trazem, até aqui.
Esse é aquele momento da minha vida que tem o gosto amargo da noite.
Essa é a resposta fraca, e o desejo mais profundo.
O mundo deveria me esperar, e não girar até o dia em que estarei ao lado dos bons.
Seja por merecimento, por indicação ou nascimento.
Eu quero estar lá também!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Deliberações aos tempos modernos

É engraçado, sob um prisma otimista, como nos apresentamos diante da vida. Realmente, pensamos que ao vestir nossas fantasias, conseguiremos representar fielmente os personagens sob a proposta do humor diário. A verdade, meus amigos, é que somos péssimos atores. Sempre fomos!
Gostaria de saber quem foi o sujeito que pensou que, dessa forma, poderíamos propor escambo ao diabo. Termo que aprecio, e identifico.
Tentamos, à custa de muitos discursos e argumentos válidos, escapar de nossa verdadeira identidade e vocação Tentamos, ainda, sermos o melhor que podemos ser, mesmo que isso não represente uma tentativa inválida de se autodestruir. De certo modo, chego a pensar que o contrário também seja verdadeiro.
Tenho medo, meus caros colegas, muito medo. Admitir a possibilidade de uma vindoura raça superior é negar nossa própria existência. Sim! Pois de que vale o sentido da vida senão propusermos, à luz do contentamento, uma jornada de aprendizado e reconhecimento. E que para esse mesmo fim, devamos expor nossas almas ao mais alto pedestal, para que, assim, alcancemos o sétimo céu...
Sejamos sinceros, amigos. Esses tempos já não são mais os mesmos. Nada tem sido como costumava ser. Perdemos toda a essência e originalidade, e estas deram lugar ao ordinário standard do novo. A vida nada mais é do que a banalização dos tempos.

Deliberações aos tempos modernos

É engraçado, sob um prisma otimista, como nos apresentamos diante da vida. Realmente, pensamos que ao vestir nossas fantasias, conseguiremos representar fielmente os personagens sob a proposta do humor diário. A verdade, meus amigos, é que somos péssimos atores. Sempre fomos!
Gostaria de saber quem foi o sujeito que pensou que, dessa forma, poderíamos propor escambo ao diabo. Termo que aprecio, e identifico.
Tentamos, à custa de muitos discursos e argumentos válidos, escapar de nossa verdadeira identidade e vocação Tentamos, ainda, sermos o melhor que podemos ser, mesmo que isso não represente uma tentativa inválida de se autodestruir. De certo modo, chego a pensar que o contrário também é verdadeiro.
Tenho medo, meus caros colegas, muito medo. Admitir a possibilidade de uma vindoura raça superior é negar nossa própria existência. Sim! Pois de que vale o sentido da vida senão propusermos, à luz do contentamento, uma jornada de aprendizado e reconhecimento. E que para esse mesmo fim, devamos expor nossas almas ao mais alto pedestal, para que, assim, alcancemos o sétimo céu...
Sejamos sinceros, amigos. Esses tempos já não são mais os mesmos. Nada tem sido como costumava ser. Perdemos toda a essência e originalidade, e estas deram lugar ao ordinário standard do novo. A vida nada mais é do que a banalização dos tempos.

Deliberações aos tempos modernos

É engraçado, sob um prisma otimista, como nos apresentamos diante da vida. Realmente, pensamos que ao vestir nossas fantasias, conseguiremos representar fielmente os personagens sob a proposta do humor diário. A verdade, meu amigo, é que somos péssimos atores. Sempre fomos!
Gostaria de saber quem foi o sujeito que pensou que, dessa forma, poderíamos propor escambo ao diabo. Termo que aprecio, e identifico.
Tentamos, à custa de muitos discursos e argumentos válidos, escapar de nossa verdadeira identidade. Tentamos, ainda, sermos o melhor que podemos ser, mesmo que isso não represente uma tentativa inválida de se autodestruir. De certo modo, chego a pensar que o contrário também é verdadeiro.
Tenho medo, meus caros colegas, muito medo. Admitir a possibilidade de uma vindoura raça superior é negar nossa própria existência. Sim! Pois de que vale o sentido da vida senão propusermos, à luz do contentamento, uma jornada de aprendizado e reconhecimento. E que para esse mesmo fim, devamos expor nossas almas ao mais alto pedestal, para que, assim, alcancemos o sétimo céu...
Sejamos sinceros, amigos. Esses tempos já não são mais os mesmos. Nada tem sido como costumava ser. Perdemos toda a essência e originalidade, e estas deram lugar ao ordinário standard do novo. A vida nada mais é do que a banalização dos tempos.

sábado, 21 de maio de 2011

Um quadro intimista

Farei aqui a singela homenagem de minhas memórias, pelas palavras, aos idos anos de minha infância.
Esta não consegue traduzir de exato minhas verdadeiras emoções, mas é digna de representar o que há muito guardo comigo.
É engraçado como, à cada forçosa consulta ao passado, fatos já quase empueiradamente esquecidos são trazidos de volta ao âmago de minha existência.
Por onde devo começar?
Bem, como esse breve relato não tem o atrevimento de memórias mais longas, devo me ater apenas àquelas que surgirem quase que naturalmente, assim como em uma livre associação.
Nossas lembranças são repletas de cheiros, cores e situações.
Lembro-me, primeiro, do cheiro da comida que minha mãe preparava. O sabor do tempero que saía da cozinha e entrava em minhas narinas, logo pela manhã, ao acordar.
O natal sempre foi presente em minhas breves consultas ao passado.
O primeiro deles que consigo me lembrar é aquele em que colocava bolas vermelhas na árvore. E para que isso fosse feito de uma maneira razoável, era preciso que subisse naquele carro prata.
E com o mesmo afinco, me deitava sobre o chão frio para desenhar. Sempre gostei de me expressar, e nas primeiras vezes, bastava um lápis e um papel. Lembro-me ainda que, nesse dia, o cachorro compartilhou comigo um copo de leite - a doce liberdade de não ter repulsa.
Ainda nesta cidade, consigo ter realmente aquelas recordações que quase nos fazem querer retomar nosso passado em um barco guiado por nossas próprias lágrimas.
Brincadeiras tão criativas. Os dias passados no clube também me fazem fechar os olhos.
Foi ainda nessa época que soube como era bom ter amigos, e hoje sei que apenas nessa época é que podemos ter amigos, na melhor acepção e sentido que a palavra merece. Primeiras experiências dormindo fora (e sentindo saudade de casa), festas na garagem do vizinho, uma tarde inteira dedicada à filmes divertidos e pipoca. Como era bom o achocolatado preparado pela minha querida Tia (amiga de mamãe): pouco chocolate e muito leite.
A liberdade de correr com minha bicicleta vermelha, já sem rodinhas, por todo o condomínio, foi a melhor lição que tive sobre o que ela representava. Nunca, depois, mesmo nas escolas
tentando atribuir um verdadeiro sentido à esta palavra, consegui tomá-la tão verdadeiramente como antes.
Em tempos à frente, mas não menos distantes, a liberdade da infância adequou-se aos moldes da cidade grande.
Mas isso não significou um cerceamento ao meu direito de ir e vir - foi apenas uma nova experiência de vida que criaria o homem de hoje.
Já não podia mais andar a pé de lá para cá (e quando a necessidade me parecesse conveniente, ir com a bicicleta), nem subir na árvore para comer doces frutas.
Carros e mais carros tomavam por completo as ruas da grande cidade, a capital.
A escola já não era sinônimo de tutela, mas de cautela. O aprendizado não se limitou às aulas de informática (que eram novidade), ou aos exercícios de criatividade limitada. Conquistei os primeiros amigos fiéis e inimigos temporários. Uma verdadeira gangue se formou. Tentava, por presentes, também conquistar as mulheres. Para as professoras, balas e poemas. Para as colegas, jóias furtadas da mamãe (mas que sempre eram recuperadas por elas, coitada).
Pratiquei esportes.
Soltei pipa, e até incendiei um lote sem querer.
Carnavais na escola, festas juninas, teatros, cinema, viagens, o coelho da páscoa, folclore, dia das mães, dia dos pais, natais, aniversários. Tudo isso que uma criança deve experimentar, eu experimentei várias vezes.
Fui muito feliz, muito feliz mesmo.
Usei aparelho. Usei óculos... e chorei.
Chorei por medo, sempre. Fui abandonado, de certo modo.
Chorei por não entender.
E hoje, quando não consigo sorrir por coisas que antes me faziam sorrir, quando não consigo temer por coisas que antes temia, e quando não vejo motivo para acreditar
nas coisas em que acreditava, sinto que cresci.
E não percebi.
Lágrimas petrificadas nas lembranças... um breve suspiro.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O meu canto preferido

Às vezes eu tenho saudade do meu passado, do modo como as cores, os cheiros e as imagens, pelo menos em minha cabeça,
eram mais graciosas. A vida, cheia de alegria e esperança. Preocupações tão pequenas quanto o nosso entendimento sobre
o que era o mundo. Mais um outro dente de leite que se foi...
Quando penso na minha infãncia, vem uma lembrança tão doce que me faz querer chorar. Quando dormia tão facilmente,
quando comia tão despreocupadamente. Éramos todos tão vazios de preconceitos, e tão repletos de curiosidade.
Em nossa tenra idade, tudo que queríamos é que a tarde durasse só mais um pouco.
Eu tinha os amigos mais legais, e compartilhei os melhores e piores momentos com eles. Foi tudo como uma escola,
e que me prestou a sabedoria de identificar tão cedo o amargo das decepções.
É, meu amigo, nem tudo nessa vida são flores.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Sobre o perdão

Ele simplesmente não conseguia admitir a possibilidade de que, sozinha, ela também poderia encontrar diversão.
Seu medo era que realmente ela se envolvesse com algo que, pouco à pouco, lhe mostrasse a beleza de um mundo desconhecido.
Como de costume, depreciar o desconhecido era sua principal ocupação.
Em dias como aqueles, só conseguia fexar os olhos para aguentar o amargo sabor do desgosto. Digerir o peso da realidade. Suas atitudes impulsivas marcavam à sete palmos sua própria cova.
Mas não lhe parecia razoável a confiança, não lhe parecia nem um pouco bom que, sob seus olhos, repousasse um ódio repreendido pelo comum acordo. A reciprocidade não lhe convenceu, do início ao fim.
A consciência sempre esteve lá, dando sinais de vida mesmo após a tempestade noturna. Suas impressões eram nutridas com a depressão doentia, em saldos negativos de vida salutar.
Oremos para que sua alma, hoje, encontre algum descanso nos jardins que Deus habita.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Amor proibido

Lembro-me quando éramos só nós dois. Rose e eu fugimos naquela noite fria e de chuva forte.
Nosso amor intenso conseguiu sobreviver até aqui, e até os santos nos reverenciaram.
Quando as águas do mar tingiram de cinza nossas almas, sobre a areia declaramos o nosso amor.
Seu pai, um respeitado advogado da cidade, já não era favorável. Sua mãe, dona de casa, só poderia concordar com ele e sua moralidade cristã.
No meio da noite, apenas com a tv ligada e você sobre meu peito, os lençóis se queimaram com a fúria da paixão.
Logo então, vítimas do acaso.
Você foi embora, e eu, apenas um simples empregado, passei a observá-la por de trás da janela.
Doce Rose, vivendo no pecado.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Morte Lenta

A primeira vez que ela colocou o copo com veneno sobre a mesa me assustei.
Mas bastaram alguns minutos e conversas desprovidas de fé para que eu percebesse que meu destino era mesmo
aquele triste fim.
Sádico é perceber que a vida nos ofereçeu tão pouco, frente à tantas possibilidades.
Você morreu quando os dissabores lhe vieram mais cedo.
Confesso que o milagre da exposição de almas não me envolveu tanto assim - preferi recolher minha identidade
na obscura camada dos vícios mal encarados.
Foi assim que ela me trouxe à vida.
É assim que me trará de volta...
O pesar da dúvida me faz crer na possibilidade do acaso.
Mas a certeza da ausência da esperança contém meus ímpetos românticos e trágicos.
Você irá depois de mim?
Tudo ao seu tempo.
A morte me sorri, nos beijamos e o copo se quebra.
Um corpo que afunda, um espírito que se eleva.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Você e a noite serena

Quando olho para o céu à noite, naquelas vezes mais estreladas
Me sinto por completo, verdadeiro
Seguro forte sua mão e sinto o aroma que seu corpo exala
Assim como as flores em uma manhã de brisa leve
É apenas o bem estar sugerido por Deus
Quando olho para o céu a noite, a esperança que me contagia
É cem vezes menor do que quando olho para você
Dentro dos seus olhos eu posso perceber
Me sinto verdadeiramente completo
O que mais seria preciso?
Um beijo carinhoso, um abraço acolhedor
Você e eu nessa noite serena, sob a vista dos anjos
Sob o encanto das nuvens que já não se fazem presentes
Todos se recolheram para nos amarmos com privacidade
O prazer descrito é menor que o prazer sentido
E as palavras guardadas no silêncio da emoção
Soariam tão belas quanto o momento oportuno
Aquele breve momento de inspiração
Como esse, para você e a noite serena

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Pátrio Poder

Eu não estava te educando, e tão pouco era carinho.
Foi tudo um investimento: infelizmente, à longo prazo.
A minha cobrança não é uma forma de prepará-lo para a vida.
Toda essa preocupação diz respeito ao saldo devedor.
O que nos une é um jogo de interesses, você pode ser tudo aquilo que não consegui.
Lançei nos teus projetos a pretensão de uma vida gasta.
Minha filial.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Por de trás dos altos muros do meu castelo

Me lembro quando subia aquela mesma rua pela madrugada a dentro, onde a beleza da vida toda se resumia a uma jornada noturna com os amigos bêbados em qualquer canto. Lembro-me de ter sussurrado ao vento algumas teorias sem o menor pudor, e também de como as minhas verdades se tornavam imortais.
Meus amigos me fizeram acreditar em um mundo de beleza, um lugar onde o companheirismo nunca deixaria que o marasmo de um destino qualquer lhe tocasse. Eu pensava que isso fosse durar pra sempre.
Gostava deles, realmente. Talvez pudessem não entender meu modo de apreciá-los, pois para cada gargalhada que distribuia à seus defeitos, preenchia o vazio de meus conceitos com um pouco da genialidade alheia.
Nas noites em que estávamos pertos um do outro, era como se a simplicidade adquirisse a personalidade de um ente supra-humano, e que, sem exageros, nenhum outro filho da puta poderia ser tão sortudo de viver a vida assim como nós. Exorcizávamos todos os demônios com a alma lavada.
Nesses dias eu desfrutei de uma felicidade peculiar aos mais jovens, e que às vezes fica escondida pela idade que vem. Uma felicidade que não era só duradoura, mas também completa - bastava que os nossos gostos imediatos fossem atendidos. Nenhuma fumaça de algo já muito encrustado em nossas vidas ousou ser oportunista o bastante para que ofuscasse o brilho em nosso olhar. A inocência que nos impedia de evitar o sorriso franco e sincero, sem ter de medir as próprias atitudes pelo medo da reprovação que, a posteriori, se tornaria uma cobrança visceral.
Éramos jovens, éramos felizes.
Desde então, a luz do poste que tinge de vermelho o mesmo asfalto, já não presencia a alegoria cortante dos alegres mancebos. Toda a plenitude de nossas virtudes foi jogada com as cinzas dos cigarros, tragados pelo desespero de crescer. Enfrentar a vida envolveu a separação.
Sou o mesmo observador de antes, mas a paisagem perdeu seu horizonte. A sutileza se perdeu na distorção do silêncio. O mundo me cegou ou fui eu que preferi fechar os olhos?
A memória nem sempre é seletiva, ou talvez o processo seja falho.

sábado, 20 de novembro de 2010

O nômade

Se for amor, que seja verdadeiro. Foram com essas palavras que tudo teve início. Me tomei envolvido calmamente, como um abraço traiçoeiro. Annie foi para mim o maior motivo para as melhores atitudes, ou o contrário.
Talvez pelo seu demasiado desapego e costumeira liberdade nossas discussões se tornaram constantes. No meio do caminho tinha uma pedra...
Mas nem mesmo o amor mais puro pode ser consensual, pois nada em se tratando de seres humanos é decisivo. Apenas a morte é fiel companheira.
Desde então, o único corpo que abracei foi o do meu violão. Annie foi embora vagarosamente pelo caminho que percorremos desde o início. Todas as flores descoloridas e cartas já queimadas pelo ódio de nossas desilusões. Esse não foi o norte que me abençoou em dias melhores.
Mas é certo que para toda fuga haverá duas ou três piores consequências. O que se tem da felicidade são breves momentos, identidades entrelaçadas e logo desfeitas.
Já faz um bom tempo que a sorte abandonou este lugar. Sou um pobre homem com uma pobre alma. O doce ardor do etílico repousa em minhas memórias diurnas, e a densidão dos sentimentos que não soube administrar cuidará de meus sonhos, em uma identidade noturna.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Uma carta para os dias de frio

Não precisa me levar tão a sério, apenas se leve mais a sério
Não tem assim tanto mistério, sem precisar ser estéril
Como contágio venéreo, ou um sorriso sincero
Irradiar confiança, tecer nos fios da esperança
A doce inocência de uma criança
Já perdida, em um caminho só de ida
Já vai indo, percorrendo, se esvaindo
Esconde na malícia proposital sua própria sorte
Joga ao vento, sobre o leito de morte, todo tipo de merda
Que aduba e atribui vida ao corte do seu coração
Feridas na sua alma que nem mesmo meus beijos irão curar
Sorrisos amarelos que minha boca não poderá evitar

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Meio-termo

Tento entender o exato limite entre a seriedade e o descompromisso.
A linha tênue, o rio de águas calmas que divide dois extremos.
O desleixo permissivo do desassossego absoluto.
Talvez as flores não sejam tão coloridas como aparentam, e seu aroma seja qualquer outro atributo ordinário.
Mesmo assim, até os pássaros soarão como ópera quando tudo parecer menos longínquo.
Um suco de maracujá, uma sessão espiritual.
Um soco no estômago e notas distorcidas. Tudo muito rápido enquanto for intenso.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Who's the Cop?

Estar consciente é o primeiro ato.
O piloto automático nos guia por caminhos incertos - e quando o alarme soa, todas aquelas pessoas em seu poder serão vitimadas por sua loucura.
Um milkshake para o brainfreeze necessário. Terno e gravata para ter o que mostrar.
Se a vida não nos ofereceu conteúdo, a morte brindará o nosso sucesso.
Sinta a dor, beije o chão, inspire a pólvora e expire a fumaça. Seu nariz é um cano longo.
Sua boca, uma metralhadora. Bombardeie impressões, devaneios.
No final, apenas o pop sobreviverá. Passaremos como vírgulas, e a história prossegue.